Deliberação IA Generativa na Unicamp

A Deliberação que dispõe sobre o uso de Inteligência Artificial Generativa na Unicamp está disponível na página da Procuradoria Geral da Unicamp.

A rápida evolução das tecnologias de Inteligência Artificial Generativa vem transformando profundamente as formas de produção, acesso, organização e circulação do conhecimento, impactando atividades acadêmicas, científicas, administrativas e profissionais em diferentes áreas da sociedade.

Ferramentas baseadas em modelos avançados de aprendizado de máquina passaram a desempenhar papel relevante em processos relacionados à geração de textos, desenvolvimento de códigos, produção de conteúdos multimodais, análise de dados, automação de tarefas e apoio à tomada de decisão. Ao mesmo tempo, essas tecnologias também trazem desafios significativos relacionados à integridade acadêmica, transparência, autoria intelectual, proteção de dados, vieses algorítmicos, segurança da informação e responsabilidade no uso da tecnologia.

Nesse contexto, a Universidade Estadual de Campinas iniciou um amplo processo institucional de reflexão sobre os impactos da Inteligência Artificial Generativa no ambiente universitário, envolvendo diferentes instâncias acadêmicas e administrativas da Universidade, buscando construir uma abordagem institucional capaz de equilibrar:

  • inovação e responsabilidade
  • autonomia acadêmica e integridade científica
  • oportunidades tecnológicas e mitigação de riscos
  • liberdade de uso e proteção institucional.

As primeiras orientações relacionadas ao tema destacaram a necessidade de preservar a criatividade, a curiosidade humana e a confiabilidade do conhecimento produzido pela Universidade, reforçando a importância da transparência e da responsabilidade no uso de ferramentas de IA. Foram incorporados princípios relacionados:

  • à autoria humana
  • à honestidade acadêmica
  • à proteção de dados
  • à ética no uso da tecnologia
  • à responsabilização sobre conteúdos produzidos
  • e ao uso socialmente responsável da Inteligência Artificial Generativa.

O debate institucional ocorrido no Conselho Universitário evidenciou a complexidade do tema e a necessidade de amadurecimento coletivo sobre diferentes aspectos associados ao uso da IA Generativa. Entre os principais pontos discutidos destacaram-se:

  • os limites entre autoria humana e participação da IA na produção intelectual
  • os impactos sobre integridade acadêmica e plágio
  • os desafios relacionados à privacidade e ao uso de dados sensíveis
  • a necessidade de letramento digital e formação da comunidade universitária
  • os riscos associados a vieses algorítmicos e desinformação
  • e os limites regulatórios diante de uma tecnologia em rápida transformação.

As discussões também reforçaram a compreensão de que a Inteligência Artificial Generativa não poderia ser tratada apenas como questão técnica, mas como um tema que envolve dimensões:

  • pedagógicas
  • científicas
  • epistemológicas
  • éticas
  • jurídicas
  • e institucionais.

Como resultado desse processo, o Conselho Universitário aprovou a Deliberação CONSU-A-005/2026, que dispõe sobre o uso de Inteligência Artificial Generativa na Unicamp.

A regulamentação aprovada pela Universidade parte do entendimento de que a Inteligência Artificial Generativa deve atuar como ferramenta de apoio às atividades humanas, e não como substituta da criatividade, do pensamento crítico, da reflexão acadêmica e da responsabilidade intelectual.

Mais do que estabelecer regras, a iniciativa representa um marco institucional no processo de construção de uma cultura universitária voltada ao uso ético, crítico, transparente e responsável da Inteligência Artificial, reconhecendo tanto seu potencial transformador quanto a necessidade permanente de reflexão e atualização diante da evolução tecnológica.